Direções de Ópera

A Ópera
A Noite de S. João: a primeira ópera brasileira
Fundada em 25 de março de 1857, a Imperial Academia de Música e Ópera Nacional representou a mais importante iniciativa do Império para fomentar a produção lírica em língua portuguesa e desenvolver o gosto pelo canto nacional. Idealizada por José Amat, cantor espanhol radicado no Brasil, a Academia tinha como objetivo central a criação e difusão da ópera em português, oferecendo formação em arte dramática, dicção, expressão musical e interpretação. O projeto contou com apoio do Governo Imperial, incluindo o uso do Teatro Provisório e a concessão de loterias anuais para seu financiamento.
O repertório inicial da Academia incluiu traduções de zarzuelas espanholas e óperas italianas, como Norma, de Bellini, e La Traviata, de Verdi, apresentada como A Transviada. Os estatutos previam, contudo, a encenação anual de ao menos uma nova ópera brasileira. A Noite de S. João, de Elias Álvares Lobo, foi a primeira a cumprir esse propósito.
Em janeiro de 1860, a imprensa anunciava a conclusão da ópera, com libreto de José de Alencar e música de Elias Álvares Lobo. A estreia ocorreu em 14 de dezembro de 1860, no Imperial Teatro de São Pedro de Alcântara, com um elenco formado por artistas brasileiros, portugueses e espanhóis, refletindo o caráter cosmopolita da cena lírica do período. A receção da obra foi amplamente positiva, com elogios da crítica à adequação entre música e poesia, ao desempenho dos intérpretes e ao esforço de José Amat em consolidar uma ópera nacional.
Após a estreia, a ópera foi calorosamente aplaudida pelo público, com récitas concorridas e a presença dos imperadores do Brasil. Destacou-se ainda uma récita de benefício em favor do próprio compositor — prática rara para autores — e outra destinada a uma família necessitada, evidenciando o papel social da ópera no contexto oitocentista. Em apresentações posteriores, a ação da obra foi deslocada do Rio de Janeiro para São Paulo, demonstrando desde cedo a flexibilidade de receção e adaptação da ópera a diferentes contextos.
Após o sucesso, Elias Álvares Lobo regressou a Itu, publicando um agradecimento público ao público fluminense, à Ópera Nacional e aos intérpretes que deram vida à sua obra.
Passados 162 anos da estreia, A Noite de S. João voltou aos palcos graças à iniciativa do Conservatório de Tatuí, com direção musical de Emmanuele Baldini e orquestração de Mateus Araújo. Apresentada no estado natal do compositor, com elenco integralmente brasileiro e cantada em português do Brasil, a obra reafirma a importância de Elias Álvares Lobo e de José de Alencar, celebrando a ópera como parte fundamental do património cultural brasileiro.
A Noite de São João
Ficha Técnica
A Noite de São João
Música de Elias Álvares Lobo
Libreto de José de Alencar
1º representação: Theatro São Pedro de Alcântara, Rio de Janeiro, 14 de Dezembro de 1860.
Orquestra Sinfônica do Conservatório de Tatuí
Coro Sinfônico do Conservatório de Tatuí
Reconstituição e Orquestração de Mateus Araujo
Direção Artística - Rosana Orsini
Direção Musical e Regência - Emmanuele Baldini
Direção de Cena - Rosana Orisni
Direção do Coro - Marcos Baldini
Cenografia - Giorgia Massetani e Alício Silva
Design de Luz - Marcelo Souza
Figurinos - Cristian Lourenço
Visagismo - Aline Barbosa
Solistas
Flávia Albano - Inês
Cecília Massa - Joana
Luciano Botelho - Carlos
Isaque Oliveira - André
Produção - Conservatório de Tatuí























