Soprano

Rosana Orsini é soprano lírico-ligeiro, com um repertório amplo que se estende do século XVI ao século XX, desenvolvendo uma carreira marcada pela versatilidade estilística. A sua interpretação distingue-se pelo rigor e pela expressividade, com especial enfoque na interpretação historicamente informada da música antiga, particularmente dos repertórios ibérico e napolitano, bem como nas óperas de Mozart e no repertório romântico francês. No palco operístico, interpretou papéis de destaque em Così fan tutte, Le Nozze di Figaro e Don Giovanni, de Mozart, assim como em Manon, de Jules Massenet, Les Pêcheurs de Perles, de Georges Bizet, Gianni Schicchi, de Giacomo Puccini, e Un Ballo in Maschera, de Giuseppe Verdi, entre outros títulos do repertório lírico. Apresenta-se regularmente em temporadas de concerto e festivais internacionais na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil. Entre os diversos contextos em que atuou como solista, destacam-se apresentações na temporada de concertos da National Gallery of Art, em Washington, bem como em festivais dedicados à música antiga e ao repertório sacro, como o Festival Internacional de Órgão da Madeira, o Festival de Órgão de Veneza, o Espazos Sonoros, Festival de Música Cidade de Lugo – Semana de Música do Corpus e o Festival de Semana Santa de Madrid. No Brasil, é presença regular em importantes encontros musicais, como o Festival Artes Vertentes de Tiradentes, o Festival de Inverno de Ouro Preto, o Festival de Música Antiga e Música Colonial Brasileira de Juiz de Fora e o Festival Internacional de Música Antiga de Diamantina. É Mestre em Canto pela Manhattan School of Music de Nova York e pós-graduada pela Royal Academy of Music de Londres, com especializações em música antiga pelo Conservatorio di San Pietro a Majella, em Nápoles, e em interpretação mozartiana pela Mozarteum Universität Salzburg, formações que consolidaram uma abordagem artística atenta ao estilo, à dramaturgia e ao contexto histórico das obras. A sua atividade artística caracteriza-se por uma leitura musical cuidadosa e expressiva, construída a partir do diálogo entre investigação, prática interpretativa e experiência de palco, sempre com o objetivo de estabelecer uma relação direta e significativa com o público.
Diretora cênica, desenvolve um trabalho que alia rigor artístico, reflexão crítica e diálogo com o contexto contemporâneo. A sua abordagem inspira-se na escola de interpretação de Uta Hagen, integrando de forma consistente ações afirmativas, perspetivas decoloniais e princípios da Agenda ONU 2030, com especial atenção à relação entre a obra, o património cultural, a participação comunitária e a identidade local. As suas encenações partem de um sólido estudo musicológico, articulado com a análise da história da receção das obras nos contextos em que são apresentadas, procurando leituras cênicas informadas, atuais e comunicativas, em diálogo respeitoso com as fontes históricas. Estudou Direção Cênica na Fondazione Franco Zeffirelli, em Florença, sob a orientação de Massimo Luconi. Foi responsável pela direção artística e cênica da ópera A Noite de São João, de Elias Álvares Lobo, considerada a primeira ópera brasileira da história, apresentada em estreia moderna no Teatro Procópio Ferreira do Conservatório de Tatuí, em 2022. Foi Diretora Artística das óperas Il Ballo delle Ingrate, de Claudio Monteverdi, e Vendado es Amor, no es Ciego, de José de Nebra, ambas realizadas no enquadramento do Festival Internacional de Música Antiga e Música Colonial Brasileira de Juiz de Fora. Em 2025, concebeu e interpretou o recital-cênico Io, Augusta Candiani, apresentado na Casa da Ópera de Ouro Preto, no âmbito do Festival de Inverno de Ouro Preto, projeto que articula música, dramaturgia e memória histórica em diálogo direto com o espaço de representação. A sua prática cênica caracteriza-se por uma encenação consciente do seu tempo, socialmente implicada e profundamente enraizada nos contextos culturais em que se desenvolve.

Diretora de Cena
Musicóloga

Musicóloga com investigação dedicada à história da ópera no Brasil, às relações transatlânticas da cultura musical nos séculos XVIII e XIX e ao papel das mulheres na música, tanto no âmbito da música conventual como da ópera. É Doutora pela Université Sorbonne – Paris IV, sob a orientação do historiador Luiz Felipe de Alencastro, e pela Universidade Nova de Lisboa, sob a orientação do musicólogo Manuel Carlos de Brito, com uma tese dedicada aos teatros de ópera no Brasil do século XVIII, distinguida com a nota máxima. Após a conclusão do seu pós-doutoramento na Universidade Nova de Lisboa, coordenou o projeto AVEMUS – Música em estilo concertante no antigo Real Mosteiro de São Bento da Avé Maria do Porto (www.avemus.org). É membro da International Musicological Society (IMS) e participa regularmente em alguns dos mais relevantes congressos internacionais de musicologia, entre os quais o Intercongressional Symposium da IMS (Valência), o Transnational Opera Studies Conference (Cambridge), o Quinquennial Congress da International Musicological Society (Atenas), o Congresso da ARLAC – Asociación Regional para América Latina y el Caribe da IMS (Cidade do México) e o Congresso Women’s Work in Music (Universidade de Bangor, País de Gales), além de diversas edições dos congressos da Società Italiana di Musicologia, da Sociedad Española de Musicología e do International Conference on Baroque Music, entre outros. É autora de dezenas de artigos científicos sobre a ópera no Brasil, as mulheres na música e a música conventual em Portugal, publicados em revistas de referência internacional, como o Anuario Musical (Espanha), o Cambridge Opera Journal, os Cuadernos Iberoamericanos de Musicología e o Sacred Music Journal, entre outras. Publicou os livros É lá que se representa a comédia: A Casa da Ópera de Vila Rica (1770–1822) (2012), Estudos sobre a cenografia e o teatro em Portugal no século XVIII (2019) e A Casa da Ópera de Vila Rica / Ouro Preto (1770–2020) (2020), obras de referência para o estudo da ópera e da prática teatral no espaço luso-brasileiro. A sua investigação articula musicologia histórica, estudos de ópera e história cultural, contribuindo para uma compreensão crítica e transnacional da circulação de repertórios, práticas e agentes musicais.
A sua paixão pela ópera constitui o eixo estruturante da sua atuação como palestrante. A partir de uma sólida experiência docente e de investigação, aliada a uma prática continuada como cantora e diretora cênica, Rosana Orsini constrói leituras simultaneamente rigorosas e acessíveis, capazes de aproximar públicos diversos deste repertório e de revelar os seus múltiplos significados históricos, estéticos e simbólicos. O seu trabalho distingue-se, em particular, pela reflexão sobre a circulação internacional da ópera, as dinâmicas transatlânticas da cultura musical e o papel das mulheres na música, bem como pelos processos de construção e negociação de identidades culturais em diferentes contextos históricos. Enquanto docente e formadora, possui ampla experiência na orientação de cantores e músicos em contextos académicos e profissionais. Ministra masterclasses para cantores de alto rendimento, com especial enfoque na construção do personagem, na integração entre voz, corpo e dramaturgia e na preparação estratégica para audições, articulando técnica vocal, consciência cênica e inteligência interpretativa. A sua versatilidade como pesquisadora, diretora cênica e intérprete confere às suas palestras uma dimensão prática e vivencial, frequentemente enriquecida por exemplos musicais, análise de repertório e reflexão crítica. Esta abordagem interdisciplinar permite-lhe dialogar tanto com públicos especializados — músicos, investigadores e estudantes — como com audiências mais amplas, interessadas em compreender a ópera como uma arte viva, profundamente ligada às transformações sociais, culturais e estéticas ao longo do tempo. Como palestrante, o seu principal objetivo é partilhar a sua profunda paixão pela ópera, despertando curiosidade, pensamento crítico e envolvimento emocional, e evidenciando a relevância duradoura deste género no panorama cultural internacional.

